No dia seguinte, Luana acordou cedo, como era de costume, vestiu-se e para espanto de seus pais, que perguntaram para onde ela iria tão cedo, brevemente, ela explicou que o telefonema de ontem, era porque haviam reconsiderado a demissão dela, e que ela estava de volta ao trabalho, saindo de casa toda apressada e ansiosa, o que na verdade não era o fato de ter o trabalho de volta, que fazia com que ela tivesse tanta pressa em chegar na empresa, no ônibus, questionando-se o por quê de toda aforia, se ela sabia que não se esbarraria com aquele homem tão estonteante novamente.
Na rotina de seus primeiros afazeres novamente, no May's Café, quando se costas foi surpreendida por uma voz aveludada, que ao ouvir "Bom dia", uma estranha e tão confortante sensação invadiu seu corpo, e ao virar-se, deparou-se com o mesmo homem, muito bem vestido, num terno sob medida sobre sua camisa azul e gravata com tons amarelados, numa combinação perfeita e harmoniosa, ele tão perto e tão distante ao mesmo tempo, pela pouca distância era notável sua pele de porcelana, sobrancelhas alinhadas e bem feita, lábios rosados e dentes perfeitamente alinhados, num sorriso brando acompanhando o bom dia, fazendo-a acidentalmente, derrubar o copo que estava em sua mão, pela surpresa e susto causado pela presença dele ali, sem nenhum aviso prévio, ao notar o acidente, pois até então ela só tinha conseguido notar a presença dele ali, tentando reparar a bagunça, responde:
- Ah! Desculpe-me, isso não acontece com frequência. Desculpe-me Senhor, Bom dia! Err.... Ahm... Posso lhe servir algo? Ou... Nossa, estou meio atrapalhada neste momento.
Com um sorriso entre os lábios, eis que mais uma vez, aquela mesma voz aveludada lhe soa aos ouvidos como a melhor e jamais ouvida melodia, - Tudo bem, eu causo certo embaraço de vez em quando, você é a Luana?
Espantada, por ele já saber até seu nome, - Sim, sou eu. Ahm... Luana, sim esse é meu nome! E você?!... falando consigo mesmo, mas num pensamento mais alto, - Como eu sou idiota, eu sei quem é você, quer dizer, eu acho que sei, pelo menos sei o que a Zilda me disse ontem.
- Isso, se eu soubesse ontem que era você, teria pedido pra lhe falar, ontem mesmo, mas só depois a Zilda me disse.
- Ahm... algum problema Senhor... Marcel, isso? Esquecendo completamente que Zilda havia comentado que ele iria desculpar-se pelo ocorrido.
- Não nenhum, se você não quebrar mais nenhum copo. Sorrindo ao falar, com a intenção de quebrar o nervosismo do momento.
- Desculpe-me, foi a primeira vez que isso aconteceu, eu juro!
- Não precisa jurar, eu só estava brincando, é só um copo! Eu vim mesmo para me desculpar, pelo mal entendido, que gerou a sua demissão temporária, na hora eu não tomei conhecimento, somente depois que a Zilda me comunicou do ocorrido, e de alguma forma tentando reparar o erro, pedi para que ela lhe trouxesse de volta.
- Não precisa se desculpar, eu falei para Zilda ontem, que não havia necessidade, afinal, não foi você que, me... atropelou e causou toda aquela confusão no corredor.
- Não foi eu diretamente, mas foi por minha causa que a Laura saiu furiosa daquele jeito. Com um sorriso amarelo, ele tenta explicar o porque do pedido de desculpas. - A Zilda me falou, que você trabalha para ajudar alguém da sua família em dificuldade de saúde, isso? Então não achei justo, você perder o emprego.
- Meu pai, precisa ainda de algumas sessões de químio e radio.
- Acho isso muito legal, se bem, que deve ser corrido para você? Você estuda também?
- Sim, estudo a noite.
Olhando por entre o balcão, e as coisas pessoais ainda deixadas ali, completamente a mostra, Marcel percebe um livro - Hum! Shakespeare?!
- É, Romeu e Julieta!
- Você gosta de poesia?
- Bem, eu gosto de variados tipo de leitura, apesar de ser raro encontrar certos exemplares.
- Como o que por exemplo?
- Bom, eu gosto muito de Dostoiévski, Bukowski, Confúcio e agora estou lendo Nietzche, e claro Shakespeare sempre Shakespeare, eu adoro o modo como ele brinca com as frases aleatoriamente, dando numa só frase vários sentidos. Dotoiévski é pura literatura, eu gosto muito e leio sempre com muita atenção. Confúcio e seu modo de exibir a verdade torradeira à seu modo. E confesso que Nietzche está dando um bocado de trabalho para compreender o modo que ele escreve, mas é bem interessante, é como se fosse um exercício para a cabeça. Own, desculpe-me, eu me empolguei!
- Interessante, qual sua idade? Sem ser grosseiro, claro... mas para ter lido tudo isso, você precisa ter no minimo uns 30 anos, a não ser que você tenha lido somente um livro de cada escritor?!
- Não, eu leio um livro em dois ou três dias! Eu já lí quase todos livros de Shakespeare e Dostoiévski, de Confúcio e Bukowski é difícil achar certos exemplares e Nietzche já estou lendo o quarto ou quinto livro.
- Três dias no máximo?
- Bom, é como eu disse, Nietzche, está dando um pouco mais de trabalho, ele é muito complexo ao mesmo tempo sem nexo, com todas explicações reunidas numa só coluna de amontuados de palavras, e eu gosto de entender, por mais que eu não compreenda. sibilando um sorriso nos lábios. Você lê?
- Hummm, alguma coisa sim, mas não compulsivamente assim. Conheço um pouco dos escritores que você falou, mas nunca me aprofundei no assunto.
- Eu gosto, ele ajudam a entender algumas coisas nos dia de hoje!
- Você está me dizendo, que a literatura de centenas de anos atrás, funciona ainda nos dias de hoje?
- Algumas coisas sim! Bom, se adaptar aos acontecimentos, visando as palavras deles de forma mais modernizada e atualizada, eu acho que sim.
Toca o celular de Marcel, e ele atendendo e se despedindo ao mesmo tempo.
- Desculpe, eu preciso atender essa ligação, um bom dia para você e desculpe novamente, pelo ocorrido anteriormente!
- Um lindo dia para você... errr... para o Senhor também!
Ao desaparecer pelos corredores do elevador, Luana enfim, respira aliviada e tenta entender o que foi aquilo? De onde aquele homem, tão simpático surgira? E por qual propósito, teria ele saído de sua zona de conforto, apenas para desculpar-se por um incidente causa por terceiros, que sai furiosa pelos corredores, atropelando tudo e todos a sua frente? Qual a real intenção dele, em puxar assunto, perguntar sobre a idade? Que belo sorriso tinha aquele homem, e os olhos continuavam a ter um imã, que puxava seus olhos para a imensidade daqueles olhos azuis, tão azuis com alguns tons esverdeados, jamais visto por seus olhos cor de mel, e que perfume era aquele, que pairava ainda no ar, mesmo já com a ausência da presença dele ali, e quanto mais ela pensava no assunto, mais vinha a lembrança da tarde passada com as amigas, em estados eufóricos, por um baile, para encontrar a verdadeira causa de toda animação. Ele mal acabará de sair diante de seus olhos, e a vontade de poder vê-lo novamente, era muito intensa e devastadora, pois a incerteza de que o fato se realizaria outra vez, era um tanto mórbida.
No intervalo, Luana subiu os andares, em busca de mais informações, em busca de Zilda, que havia comentado algo, que já conhecia Marcel, desde antes mesmo de seu nascimento, mas, tão atarefada estava, que não querendo incomodar, retirou-se e voltou para os andares de baixo, por mais que se concentrasse em tentar, terminar Shakespeare, ao ler as mesma palavras do escritor, sua cabeça usava a imagem de Marcel comparada a de Romeu, e sem que ela mesmo percebesse, estava completamente apaixonada, pelo tão simpático homem proibido.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Heart beating
Tendo em vista, que ela teria então mais tempo, mesmo que contra sua vontade, para se dedicar em outros afazeres no tempo que sobraria então, por não mais trabalhar meio período de seu dia, outra vez Luana, estava a refazer seus horários, conciliando assim tudo e todos as sua volta.
Na manhã seguinte, ela prepara o café da manhã, e aproveita o tempo que tem para dar aquela arrumada na casa, causando assim, estranheza em seu pai, que lhe pergunta se ela não iria trabalhar? Ela para momentaneamente suas tarefas, para explicar o ocorrido do dia anterior, e seu pai apenas lamenta dizendo: - Uma pena, pois eles acabaram de perder uma pessoa, que prepara o melhor café e sucos naturais, de toda cidade de São Paulo.
Ela aproveita pra se empenhar mais na academia, aonde se preparava para um campeonato de graduação, ela tinha muito mais experiência, mas sua idade impedia-a de graduar-se mais rapidamente, às vezes, ela se punha a pensar, que teria ela sido registrada em ano errado de nascimento? Pois ela mal começará a ter uma adolescência, e tinha já as obrigações de uma pessoa adulta, tinha os deveres de que qualquer pessoa em idade mais madura deveria executar, mas em muitos casos, a idade era sua inimiga, impedindo-a de conseguir dar os passos que sua vida cismava em levá-la.
Alguns dias depois, Luana estava na casa de Cinthya, junto de mais alguns amigos de classe, preparando um trabalho de escola. Todos estavam eufóricos, pois além dos trabalhos escolares, estarem praticamente acabados, sendo a maior parte feito por Luana, era época do grêmio estudantil começar os bailes, para arrecadação de dinheiro para a festa de formatura do ano, não era só os planos para decoração de festa e a escolha das músicas de sucesso do momento, e sim, a época que muitos dos alunos inciavam seus casos de amor e namoricos, a turma toda conversando sobre esse ou aquele menino e vice-versa, enquanto Luana, tentava de alguma forma não ouvir o zunidos eufóricos dos amigos, dando acabamento no trabalho da escola no computador de Cinthya, eis que todos começam a questioná-la sobre quem seria, o alvo ou o garoto por qual era se interessava.
- E você Luana, quem será o bonitão que te atrai a atenção? Pegunta Kátia, deixando Cinthya muito interessada em ouvir a resposta.
- Eu? Ahmm... Não tive muito tempo para reparar nisso... Sabe como é, meus últimos meses foram, um tanto... conturbados!
- Ah! Mas não tem ninguém que lhe chamou a atenção, entraram tantos alunos "gatos" novo esse ano... Diz Patricia toda animada, por já estar "ajeitada" com um dos novatos desse ano letivo.
- Err.... verdade, eu não reparei nisso...
- Bom, mas para que serve o baile afinal?! Cinthya pulava ao lado de Luana, querendo de alguma forma conforta-la e desafia-la. - Se não para conhecer melhor os meninos, não é mesmo Lunah?!
- Bom.... é... eu acredito que seja por esse e muitos outros motivos também.
- O Ricardo, ele é... bonito! Diz Kátia, e perfeito para você Lunah, já vistes que belos par de olhos azuis que ele tem? Ou senão, pode também optar pelo Jamil, bom, o nome dele é meio estranho, e ouvi dizer que ele tem uma namorada, mas estão brigados... ele é um moreno muito bonito, viu aqueles bíceps?
Sem entender direito de quem se tratava todos esses rapazes, Luana tentava por todas os meios, se esquivar, dos futuros pré compromissos amorosos, que suas amigas estavam planejando para ela... E assim, continuaram conversando incansavelmente as meninas. Pela tarde, já com o trabalho terminado, ainda sobrava algumas horas para o início da aula, então Luana resolveu dar uma passada em casa, para saber se estava tudo bem, respirando enfim aliviada, por ter conseguido uma desculpa para sair do meio daquela conversa toda sobre namorados.
Chegando em casa, ela corre para uma ducha rápida e trocar de roupa, quando sua mãe a chama para avisar-lhe, que na sua ausência alguém da Marshall Enterprises, havia ligado.
- O que eles queriam mãe? Falar sobre o restante do meu pagamento, ou avisar que não tenho direito a tal? Foi as primeiras causas que passou pela cabeça de Luana.
- Não sei filha, a mulher que ligou pediu para falar com você, e quando eu disse que você não estava, ela pediu para que quando fosse possível, você entrar em contato com ela, se não me falhe a memória, ela se chamava... franzindo a testa, na tentativa de lembrar-se do nome... Vilma, Zilda ou alguma coisa assim.
- Ok mãe! Entendi, foi a Zilda, uma senhora que trabalha num dos corredores principais, ela é um amor de pessoa! Amanhã eu ligo para ela. Deu um beijo em seu pai e saiu correndo para escola.
Na escola, incrivelmente, as meninas ainda falavam sobre os bailes, e outros eventos que estavam programando pelos próximos meses, era junho, frio e época de festa juninas, estavam todos eufóricos com as diversas ideias do grêmio estudantil daquele ano.
Dia seguinte, antes de ir para a academia, Luana se lembra do telefonema e resolve então, retornar a ligação, e descobre que Zilda, uma de seus anjos da guarda naquela empresa, havia de alguma forma, conseguido reverter a situação do ocorrido, e pedia para que Luana voltasse até a empresa, para que ela possa explicar melhor, ela como não tinha muito o que fazer naquele dia, e não estava a fim de ficar mais um dia no meios das conversas sobre os rapazes da escola, que ela não sabia nem fazer a ligação do nome com pessoa, trocou de roupa e foi para o centro, indo diretamente de encontro com Zilda, que sempre sorridente recebeu-a com um forte abraço, -ah! menina, sua alegria me faz falta por aqui!
Sorrindo e sentido-se acolhida - É, é recente, e eu já estava habituada a ver todas as pessoas passando apressadamente pelo corredores, já sabia o gosto de alguns, que vinham todos os dias buscar seu café, eu também sinto falta daqui.
- Que bom, assim não terei muito trabalho em convence-la de voltar?!
- Voltar?! Mas eu já estou aqui Zilda!
- Não meu amor, voltar a trabalhar aqui conosco! Exclama Zilda com um enorme sorriso no rosto.
- Voltar a trabalhar aqui, como assim Zilda, de que forma isso seria possível, sem prejudicar ninguém? Porque longe de mim querer trazer complicações ao Paulo, e... foi interrompida por Zilda - Não se preocupe, eu cuidei de tudo! Faz muito bem para mim, ver você e sua jovialidade passar por esses corredores diariamente.
- Explique-me melhor, por favor Zilda!
- Você nunca perguntou qual era a minha função nessa empresa, certo?
- Bem... sim! Eu nunca perguntei, mas porque eu achava que não havia necessidade de saber, qual era o posto de cada um, eu sabia qual era o meu, e isso me bastava!
- Pois bem, eu trabalho nessa empresa, desde antes do vice-presidente nascer, o mesmo que é o responsável pela insanidade temporária de Dna. Laura, naquele dia, eu pedi para conversar sobre o acontecido com Marcel, pedindo para que ele intermediasse e revertesse o pedido de demissão do setor de recrutamento, expliquei a sua necessidade, e uma coisa que eu posso lhe assegurar é que, tanto pai como o filho donos desta empresa, são pessoas muito justas, sendo assim, ele pediu para que fostes re-contratada e pediu para quando vieste, que ele fosse avisado para que pudesse pedir desculpas por Dna. Laura.
- Perai, Zilda, deixa-me ver se entendi direto? Quer dizer entendi, mas como? Como o fizeste sem que ninguém saiba da minha idade?
- Psiu! Esse pequeno detalhe, foi.... resolvido! Ninguém nunca soube, por que há de quereis informar isso agora?
- Resolvido como? E Marcel, quem és Marcel?
Sutilmente abre-se a grande porta de vidro fumê diante a mesa de Zilda, e eis que um homem, muito bem vestido, num terno azul marinho, feito sobre medida, absolutamente alinhado a seu corpo, alto, de cabelos castanhos cor do puro mel, olhos azuis reluzentes, interrompe a conversa das duas, e Luana mesmo sem saber o por quê e sendo um ato espontâneo de seu corpo, disfarçadamente dá-lhe as costas, tentando não olhar diretamente, mas cabisbaixamente sem compreender, seus olhos fitavam aquele homem inexplicavelmente. - Zilda por gentileza, poderia vir até aqui com minha agenda?
- Claro senhor, só um instante, por favor.
Por um milésimo de segundo, entre todos os olhares que ela lançava para aquele homem a sua frente, ela notou que irreverentemente, ele fitara-a, por alguns segundos, aquele homem, dá um leve sorriso em forma de consentimento e agradecimento a Zilda, dá as costas e fecha a grande porta de vidro.
- Terei que me retirar por alguns minutos Luana, você me espera aqui, ou amanhã terei o meu café sob a minha mesa, quando chegar aqui?
Luana olha o relógio e responde - Bem, não sei quanto tempo posso lhe esperar Zilda, porque hoje tenho prova na escola, e não posso faltar, você vai demorar muito?
- Não sei te dizer meu anjinho, as vezes ele é breve, outras não.
- Ele... ahm... quem é?
- Aquele é o Marcel, quer dizer Sr. Marcel, por inúmeras vezes, carreguei aquele menino no colo, que me esqueço que ele cresceu, enfim assumiu seu papel dentro da empresa, ao lado do pai.
- Então ele é... é o filho do presidente?
- Sim, ele mesmo, o vice presidente da Marshall.
- E porque um homem daqueles, iria querer me pedir desculpas, por algo que ele não cometeu?
Levantando-se, já em punho de uma agenda preta Zilda, vira pra Luana e diz: - É uma longa história, meu bem, e agora não posso contar-lhe, espero-a amanhã pela manhã aqui, como se nada tivesse acontecido, e dá as costas, caminhando em sentido a grande porta de vidro.
- Mas Zilda...
Antes de entrar, Zilda sorri e diz "Até amanhã, anjinho de alegria".
Luana, mais uma vez, se viu cheia das perguntas, era uma tempestade delas dentro de sua cabeça, misturadamente e sem nenhuma explicação plausível, mas a que mais prendia de algum modo a sua concentração, era saber o que exatamente ela sentiu quando viu aquele homem. Um homem como outro qualquer, mas que ao contrário da maioria naquela empresa, não estava correndo ou não tinha gestos e movimentos apressados, de certo, que ela sabia que se tratava do vice-presidente, então oras, ele não precisa ter pressa alguma, mas quais eram aqueles sentimentos ou sensações, que invadiu seu corpo, ao olhar aquele homem, que nem mesmo ela sabia direito quem era. Como era possível aqueles olhos azuis, serem tão profundos e penetrantes, era como se ele tivesse um imã, que atraísse os olhares dela pra ele a todo instante, como era possível momentaneamente, esquecer tudo, todas as preocupações e responsabilidades, somente por uma faísca de um olhar, e porque a imagem daquele homem, não saia de seus pensamentos.
Na escola, sempre foi uma das primeiras a entregar as provas, mas naquela noite, algo, ou melhor, aquele homem ainda ocupava-lhe a concentração, impedindo-a de pensar claramente sobre o que estava diante de seus olhos, a prova de literatura, que sempre foi a matéria que ela não tinha problema algum, em solucionar as questões, o sinal do fim da aula tocou, e a prova continuava pela metade, ela entrega a prova, para espanto do professor, que encara-a sem entender, ela apenas balança os ombros, também confirmando seu espanto junto com o dele. Incrédula, ela volta pra casa, ainda com as mesma perguntas, cada vez mais intensa e sem nenhuma explicação que ela pudesse encaixar como resposta.
Noite a dentro, uma amiga que a muito não se manisfestava, viera fazer-lhe companhia durante a noite, tirando-lhe o sono, e fazendo que vagasse pela casa sozinha no escuro, tentando dentro da sua própria escuridão de explicações, achar respostas, aquele homem ainda continua em seus pensamentos. Nunca tivera sentido tal atração por alguém ou por outra pessoa, e ela se lembrará da conversa com as amigas naquela tarde, chegando a conclusão de que finalmente algum bonitão lhe chamará a atenção, talvez.
domingo, 28 de julho de 2013
Acidente da renovação
Num dia pela manhã ela saia de casa, cheia ainda da milhares de perguntas que ela fazia sempre pra sí mesma, ela fazia uma avaliação da evolução das pessoas, da sua fase de crianças à adolescência e fase adulta, não havia muita diferença, às vezes, apenas números, pois os adultos eram de certa forma irresponsáveis e talvez mais habilidosos em esconder seus medos e duvidas, ao contrário das crianças que não tinham medo de demonstrar sua insegurança pois estavam em fase de aprendizado, os adolescentes de certa forma, eram repreendidos na maioria dos casos, por se sentirem perdidos nesse intervalo entre a pureza e fantasia para a fase teatral e ainda sim, fantasiosa, pois a maioria dos adultos ainda não tinham a menor ideia do que realmente queriam para sua vida. Fase teatral era definida por ela, por ela poder notar, a diferença de costumes e hábitos dos companheiros de trabalho, "ontem, lá no barzinho, esse carinha me cumprimentou com um belo sorriso e hoje parece nem me reconhecer, por trás deste balcão, naquele momento eu nem sabia o nome dele, e mesmo assim retribui o boa noite, hoje com um crachá no bolso da camisa, eu sei que ele se chama Jonas, e de repente, depois de descobrir seu nome, a simpatia dele havia sumido!" - pensava ela.
Ela chegava a conclusão de que os adultos tinham vergonha de si mesmo, ou teriam algum problema em assumir sua real personalidade, Rosana que sentava a nossa mesa no barzinho, que reparava em todos os homens naquela noite e comentava sobre eles, no escritório era uma assistente em computação que não teria tempo ou não notava nem as pessoas a sua volta, pois ela não parou nem pra saber o que tinha dentro da xícara que estava ao lado do seu computador, antes mesmo de levá-la a boca.
Alice e Nathalia, que de alguma forma eram como Luana, as mais novas tanto em tempo de trabalho como de idade, tinham elas uma certa conexão, que dava mais certo, e que aos olhos de Luana, era de alguma forma mais sincero o relacionamento profissional delas.
Entre esses e muitos outros pensamentos que acompanhavam Luana, dentro dos corredores da empresa, fazendo as entregas dos pedidos em cada mesa, eis que em um dos corredores, de uma das portas sai uma mulher impecavelmente linda, num vestido perfeitamente ajustado a seu corpo, completamente furiosa e apressada e tromba com o carrinho que Luana empurrava, derramando tudo e causando uma tremenda confusão, a mulher dá um grito de ira contra Luana, acusando-a -"Menina idiota! Olha o que você fez com meu vestido."
- Me desculpe, senhora, não foi minha culpa. Responde Luana completamente atordoada e notado que se tratava da mesma mulher que entrava no bar, naquele tarde anterior, que as meninas disseram ser a Dna. Laura, de perto, ela era ainda mais linda, sua pele branca mas levemente bronzeada, cabelos loiros muito bem cuidados, lindos olhos azuis que no momento estavam vermelhos de tanta fúria, entre muitas outras qualidades, que era tudo o que Luana podia notar naquele momento.
- Menina irresponsável, você sabe quanto custa um vestido desse? Grita Dna. Laura olhando e mostrando a mancha causada pelos sucos e café do carrinho.
Quase implorando por desculpas, mais uma vez Luana pede desculpas, tentando explicar que a culpa era de Laura, o que seria inútil naquele momento, - Me perdoe Senhora, mas eu nem sei de qual lado a senhora apareceu trombando com o carrinho e ....
- Menina idiota, você não olha por onde anda, você gosta de derrubar café e iguarias nas pessoas? Se ponha no seu lugar serviçal... sabe quanto custa? Arghhhh!!! Você teria que trabalhar no minimo um ano pra pagar um desses! Que ódio, quem foi o idiota que te contratou?
- Calma Senhora, eu posso.... errr.... tentar tirar a mancha, ou....
- Você acha mesmo que eu daria um vestido desses na sua mão pra você terminar de acabar com ele? Seria a mesma coisa que jogar meu dinheiro aos pobres! Irritadíssima Laura ainda fazia escândalo no corredor, quando um dos anjo da guarda de Luana apareceu, Zilda tentou controlar a situação levando Laura pra uma sala reservada, que mesmo assim saiu gritando pelos corredores "Essa menina idiota, acha que vai continuar trabalhando aqui, pra continuar sugar da empresa e estragar as pessoas que andam aqui dentro, ela está muito enganada...."
Zilda fazia gestos pra Luana arrumar toda a bagunça, e completamente sem entender nada, ela começa a limpar toda a confusão criada por aquela linda mulher, quando ela se da conta, parecia que o escritório todo, parou por alguns segundos durante a cena, Luana que por todos esses meses tentou de todas as formas não chamar a atenção das pessoas na empresa, notou que naquele momento, todos os olhos estavam focados nela, e uma sensação de muito desconforto invadiu-a, fazendo de alguma forma a sentir culpada pelo ocorrido.
No final do expediente, Luana ao encerrar os últimos detalhes da sua jornada de trabalho, o mesmo gentil senhor Claudio que havia contratado-a meses atrás, mesmo sabendo a sua idade real, chamou-a reservadamente para esclarecer o ocorrido pela manhã no corredor da empresa, e mesmo sabendo que Luana contava a versão real do fato, ele explicou que como havia o fato da idade dela não poder ser revelada, aos registros da empresa, a pedido de Laura, ele estava sendo pressionado a pedir para que ela se retirasse da empresa, ele explicou que não era a gosto dele, e que ele e todos estavam muito satisfeitos com os serviços prestados, mas que se o departamento de recrutamento, descobrisse a verdade sobre a idade dela no momento da contratação, a situação de todos que sabiam do fato na empresa, iria ficar pendente de diversas demissões, sendo assim, deixava à Luana decidir o que seria melhor fazer. No mesmo momento Luana completamente desapontada com o ocorrido, falou que não queria em hipótese alguma que alguém se prejudicasse por causa dela, assentindo assim, que ele editasse a carta de demissão para ela assinar, também deixou bem claro seu agradecimento por ter considerado a necessidade dela, pela contratação, tentando de alguma forma apaziguar o mal entendido causado pela bela mulher, - Não se preocupe Sr. Claudio, eu entendo bem o que o Sr. está tentando me explicar, e não precisa se preocupar, eu sei que não é culpa de nenhum de vocês, e sim daquela mulher, que aliás, você pode me dizer de onde aquela mulher apareceu?
- Ela é a Dna. Laura, namorada ou noiva, não sei direito, do filho do presidente desta empresa! exclamou Sr. Claudio.
- Ah! noiva!? Mas ela tem alguma posição, aqui dentro da empresa Sr. Claudio? questionava, tentando entender...
- Não, que eu saiba, mas ela é contato direto com o presidente, que nunca aceitaria sua contratação com 14 anos Luana, lamentava Claudio.
- É, entendo perfeitamente, bom, só posso agradecer tudo o que o Sr., o Paulo fizeram por mim, se arriscando de alguma forma, para tentar me ajudar, agradeço mesmo de coração viu!?
- Você é um amor de menina Luana, muito esforçada, e se todas as pessoas do mundo fossem como você, teríamos um mundo bem melhor lá fora.
Antes de ir embora completamente, Luana passa discretamente pela mesa de Zilda, deixando um pedaço de bolo, que ela havia pagado do próprio bolso, na lanchonete, agradecendo e explicando o recém ocorrido fato de sua demissão, Zilda fica indignada, mas Luana tenta de alguma forma acalmá-la agradecendo imensamente por toda ajuda sempre prestada e pelo carinho.
Sim ela, se despedia de todos, que de alguma forma ficavam revoltados com a colocação dos fatos, deixando claro que a classe trabalhadora e humilde, era de certa forma, descriminada no status social de uma grande empresa.
Luana ao sair da empresa, pára na calçada e olha para trás, e nesse único momento de olhar, ela vê vitórias e derrotas reunidas num só local, foi ali, de alguma forma, que ela conhecerá uma certa estabilidade financeira, mas ali também, ela aprendeu que para sobreviver entre uma manada de lobos, é necessário antes, aprender a uivar como eles.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Nova modelação
Alguns meses depois, estávamos novamente nos corredores de um hospital, e devido ao grande esforço de todos da família Montella que lutaram e se sacrificaram para que a cirurgia de papai fosse realizada com sucesso.
Tia Gianina, irmã de meu pai, veio da Itália para ajudar todos nós, que ficamos por algum tempo rodando em círculos sem conseguir muitos resultado satisfatórios, tia Nina tinha o quente sangue italiano nas veias, por onde passava, era impossível não ser notada com aquele sotaque e a mania de falar gesticulando, sempre muito bem humorada, até no nosso desespero ela conseguia nos fazer rir, pois naquele momento estávamos precisando não só de meios financeiros mas também de apoio.
Depois de tanto tempo, consegui me sentir um pouco aliviada, era como se tivessem retirado meia tonelada de cima do meus ombros, mesmo sabendo que a batalha não terminava ali e que de agora em diante teríamos que mudar muitos outros detalhes no nosso cotidiano para se adaptar com o novo estilo de vida que meu pai precisaria, depois que toda a minha vida já tinha sentido a reviravolta daquele inimigo oculto, que me acompanhou durante várias noites me tirando sono, o que seria mudar mais alguns detalhes, para que nosso pai pudesse se reerguer novamente, mais forte e mais firme.
Foi então que lembrei, que já havia se passado quase meio semestre do ano letivo, e eu não sabia direito nem o nome dos novos alunos que entraram na minha classe, lembrei dos inúmeros trabalhos em grupo que deixei de participar e sem falar das notas, que haviam declinado mais rápido que um carrinho descarrilhado numa montanha russa. Era hora então de voltar como antes, ou pelo menos melhorar para recuperar o que foi perdido, no tempo que eu tinha disponível, entre a meia jornada de trabalho que eu havia conseguido há dois meses, por intermédio de outros funcionários, da empresa aonde Mumuka estava trabalhando, ele havia conseguido um intermédio dentro de uma grande empresa, da cidade de São Paulo, aonde estavam precisando de garotas para limpeza da lanchonete e corredores da empresa, graças a este intermédio que fez com que meus 14 anos de idade, não fosse revelado na empresa, eu tinha conseguido a vaga, e assim, podendo de alguma forma, ajudar com as despesas de minha casa, isso me trazia muito cansaço mais ao mesmo tempo uma enorme sensação de gratidão, por estar também podendo ajudar minha família.
Mamãe e Mumuka estavam levando a sério a possibilidade de imigrar ao Japão, em busca de melhores salários e trabalho, para assim, liquidar mais rapidamente as dividas contraídas para com a operação e futuros tratamentos, já que então a operação tinha sido aparentemente um sucesso, ela não se sentia mais atada em ficar do lado de meu pai, sendo apenas um peso mórbido e causadora de mais despesas, sim, estávamos em uma situação financeira bem delicada. O casamento de Guto, que iria ser a festa do ano, adiada por tempo indeterminado, e mesmo todos cooperando, tudo era extremamente calculado antes de qualquer providencia. Nossa casa havia sido hipotecada, e passamos a ter que pagar aluguel por algo que anteriormente era nosso, mesmo precisando muito para própria locomoção hospitalar, papai vendeu o carro para que não nos faltasse nada, esse sempre foi o que ele dizia "custe o que custar, nunca deixarei faltar nada a minha família, principalmente amor", lógico que na situação em qual nos encontrávamos, amor era um sentimento que não precisávamos demostrar um aos outros, porque era mais que óbvio que a nossa luta, era uma luta conjunta em nome do amor e devoção a nosso pai. Até Melissa, minha futura cunhada, abria mão de alguns luxos anteriormente exigidos por ela, à meu irmão, para ajudar em casa, ela era sim a esposa que meu irmão merecia ter, atenciosa, carinhosa e dedicada, eles já estavam juntos a cerca de três anos.
Eu tentava conciliar meus horários entre minha casa e alguns cuidados prestados a meu pai, com os estudos, e meu novo trabalho, que na verdade não seria tão difícil de encará-lo se eu não escondesse algo, pois se tem uma coisa, da qual eu nunca obtive muito sucesso até os dias de hoje, era mentir, e as vezes eu era obrigada, até mesmo ser um pouco indelicada com as pessoas, para que elas não puxassem papo comigo, pois no fundo eu sabia, que mais hora menos horas, eu mesmo sem notar iria dizer coisas que eu não poderia, pois seria muito prejudicial a mim naquele momento.
Mas eu tinha feito alguns anjos da guarda naquela empresa, uma secretária que atendia pelo nome de Zilda, uma senhora já de meia idade, que vez ou outra eu cruzada pelos corredores, fiz também um amigo, o Paulo, que já trabalhava na empresa desde seus 16 anos, e que havia começado como eu, de serviços sem muita importância e considerado ultrajante para muitos que frequentavam aquela empresa, era mesmo grande, um prédio inteiro, cada setor divido por andares, eu nunca em toda minha vida tinha estado em um local tão alto padrão como aquele, hoje Paulo com seus 25 anos, era auxiliar-geral do chefe de recrutamento.
Eu tentava na medida do possível ser o que eu sempre fui, simpática e conversadora, mas muitas vezes eu notava que alguns empresários não davam muito valor ao tipo de serviço que executava ali, uns outros as vezes chegavam a menosprezar a ala serviçal e alguns outros eram aparentemente simpáticos, claro que em hipótese nenhuma, eles foram mal educados ou grosseiros, era notável que a educação daquelas pessoas que circulavam apressadamente por todos os lados daquele prédio, tinham uma educação exemplar, mas eram pessoas que viviam tão apressadas, que as vezes eu pensava se eles tinham tempo para outra coisa a não ser trabalhar, cumprir horários e agendas lotadas, e num desses meus pensamentos, eu me vi com aquela pergunta martelando minha cabeça "o que você vai ser, quando você crescer"?
Era meu primeiro contato com o mundo empresarial, eu estava dentro de um prédio que fazia parte, dentre outros no meio da cidade, no coração da metrópole, aonde praticamente todas as negociações eram realizadas, era notável que ali não era local de crianças ou adolescentes, que ainda sequer tinham um ideal ou uma meta na vida, sem bem que eu tinha um ideal e uma meta, algumas talvez bem distantes, mas a que se fazia presente no meus dias, era simples e eu me concentrava todos os dias, para não perder o foco e dar conta dos meus afazeres, dentro do tempo estipulado. Tempo era uma "coisa" ou um instrumento valiosíssimo por ali.
Havia alguns dias, que as mocinhas que ali também trabalhavam na lanchonete, estavam inspiradas e conversadoras, nessas oportunidades eu procurava me enturmar, mas mesmo elas fazendo o mesmo tipo de serviço que eu ali, o poder aquisitivo das duas partes eram diferentes, ela trabalhavam apenas para ter uns trocados à mais para gastar com elas próprias ou passeios, coisas que estavam bem longe ainda dos meus planos, por mais que eu tentasse fazer parte do grupo delas, eu me acanhava e me esquivava dos inúmeros convites para ficar de paqueras no bar e lanchonete da avenida, que parecia ser um 'point' de encontro do mesmo pessoal apressado e corrido daquelas empresas.
Uma vez, eu tinha um tempo disponível e resolvi ir conferir como era, junto de Alice e Nathalia que insistiram muito, dizendo que eu era a única que nunca tinha dado as caras por lá, e incrível foi a minha percepção de que as pessoas apressadas e com as agendas lotadas de compromissos, haviam temporariamente desaparecido, daqueles rostos sorridentes entre um copo do cerveja e outro, eu prestava atenção aos detalhes, e ao mesmo tempo, me colocava a pensar, se era por isso que todos viviam tão apressadamente dentro daquele prédio, eu ri comigo mesmo.
Não pude deixar de notar a entrada triunfal de uma moça, que definitivamente não fazia partes dos funcionários de nenhuma daquelas empresas, pelo meus olhos à avaliar seu caminhar e sua vestimenta, era algo milimetricamente feito para o corpo dela, como se fosse feito sobre medida, perfeito em todos os aspectos, ela seguia em direção do balcão de pedidos, e logo atrás dela um homem, que eu fiquei curiosa, mas evitei de perguntar para as meninas, se se tratava de um body guard, e para minha surpresa, nem precisei ficar muito tempo na curiosidade, pois entre elas comentavam como era bonito o segurança particular de Dna. Laura, então eu nem me atrevi a procurar saber quem era essa senhora, continuando a rir comigo mesmo.
Muitos acontecimentos engraçados para meus olhos de 'marinheira de primeira viagem' era registrado por mim, aquele era o chamado happy hour empresarial, aonde todos os funcionários se encontravam, para relaxar um pouco do estressado turno de trabalho, afinal, não era só eu que achava que estava sendo dureza levar aquela vida corrida de estudante, casa e trabalho, era como se todos estivessem no mesmo barco, em busca de um horizonte, uma passagem para algo melhor e maior, mas muitos, inclusive eu, não tínhamos idéia do que, ou de como ou quando.
No caminho de volta para minha casa, dentro daquele ônibus apertado, que eu costumava usar mas nunca tão congestionado como naquele horário, tentando encontrar respostas para milhares de outras perguntas novas, que eu havia conseguido coletar naquele happy hour, ao ver pessoas bem sucedidas, outras um pouco menos, reunidas num só ambiente felizes e sorridentes. Isso me dava a ideia, que mesmo com toda a diferença social que havia, no fim, as pessoas eram todas iguais, pessoas que buscavam sonhos variados, lutavam com o que tinham ou como podiam, então me dei conta de que, deveria me dedicar mais aos meus sonhos do futuro, procurava dentro de mim, algo que me desse cada vez mais a certeza do que eu queria ser quando eu crescer (a pergunta que virava e mexia, estava dentro dos meus pensamentos), eu procurei dentro de mim, pelas coisas que eu gostava de fazer, em busca de um oficio que não me obrigaria a trabalhar se quer, nenhum dia, afinal, quando há satisfação interior no que se faz dia à dia, não há a sensação de obrigação, sendo assim satisfatório acordar e trabalhar todos os dias.
Ao invés de ir direto para casa, resolvi então dar uma parada na biblioteca, local aonde fazia bastante tempo por onde eu não passava desde que começará a luta a favor da saúde de meu pai, ao chegar lá, me senti com aquela sensação de estar de volta ao lar, aquele cheiro de livros velhos misturados com os novos, poder observar as pessoas se movimentando delicadamente para evitar fazer barulho, o silêncio soou aos meus ouvidos como música tranquilizante, depois das horas passadas naquele bar, no meio de gente sorridente e barulhentas.
Dias depois, voltei também aos treinos na academia, passei a dedicar mais tempo aos novos amigos da classe e também as velhas amizades, tentei na medida do possível colocar todos os trabalhos atrasados em dia, mesmo que não valessem mais notas naquele semestre passado, assim ao menos me colocava em dia do que havia se passado na escola, nos dias da minha ausência. Enfim, parecia que a vida antiga estava se adaptando a nova, e tudo estava voltando a ficar equilibrado.
Tia Gianina, irmã de meu pai, veio da Itália para ajudar todos nós, que ficamos por algum tempo rodando em círculos sem conseguir muitos resultado satisfatórios, tia Nina tinha o quente sangue italiano nas veias, por onde passava, era impossível não ser notada com aquele sotaque e a mania de falar gesticulando, sempre muito bem humorada, até no nosso desespero ela conseguia nos fazer rir, pois naquele momento estávamos precisando não só de meios financeiros mas também de apoio.
Depois de tanto tempo, consegui me sentir um pouco aliviada, era como se tivessem retirado meia tonelada de cima do meus ombros, mesmo sabendo que a batalha não terminava ali e que de agora em diante teríamos que mudar muitos outros detalhes no nosso cotidiano para se adaptar com o novo estilo de vida que meu pai precisaria, depois que toda a minha vida já tinha sentido a reviravolta daquele inimigo oculto, que me acompanhou durante várias noites me tirando sono, o que seria mudar mais alguns detalhes, para que nosso pai pudesse se reerguer novamente, mais forte e mais firme.
Foi então que lembrei, que já havia se passado quase meio semestre do ano letivo, e eu não sabia direito nem o nome dos novos alunos que entraram na minha classe, lembrei dos inúmeros trabalhos em grupo que deixei de participar e sem falar das notas, que haviam declinado mais rápido que um carrinho descarrilhado numa montanha russa. Era hora então de voltar como antes, ou pelo menos melhorar para recuperar o que foi perdido, no tempo que eu tinha disponível, entre a meia jornada de trabalho que eu havia conseguido há dois meses, por intermédio de outros funcionários, da empresa aonde Mumuka estava trabalhando, ele havia conseguido um intermédio dentro de uma grande empresa, da cidade de São Paulo, aonde estavam precisando de garotas para limpeza da lanchonete e corredores da empresa, graças a este intermédio que fez com que meus 14 anos de idade, não fosse revelado na empresa, eu tinha conseguido a vaga, e assim, podendo de alguma forma, ajudar com as despesas de minha casa, isso me trazia muito cansaço mais ao mesmo tempo uma enorme sensação de gratidão, por estar também podendo ajudar minha família.
Mamãe e Mumuka estavam levando a sério a possibilidade de imigrar ao Japão, em busca de melhores salários e trabalho, para assim, liquidar mais rapidamente as dividas contraídas para com a operação e futuros tratamentos, já que então a operação tinha sido aparentemente um sucesso, ela não se sentia mais atada em ficar do lado de meu pai, sendo apenas um peso mórbido e causadora de mais despesas, sim, estávamos em uma situação financeira bem delicada. O casamento de Guto, que iria ser a festa do ano, adiada por tempo indeterminado, e mesmo todos cooperando, tudo era extremamente calculado antes de qualquer providencia. Nossa casa havia sido hipotecada, e passamos a ter que pagar aluguel por algo que anteriormente era nosso, mesmo precisando muito para própria locomoção hospitalar, papai vendeu o carro para que não nos faltasse nada, esse sempre foi o que ele dizia "custe o que custar, nunca deixarei faltar nada a minha família, principalmente amor", lógico que na situação em qual nos encontrávamos, amor era um sentimento que não precisávamos demostrar um aos outros, porque era mais que óbvio que a nossa luta, era uma luta conjunta em nome do amor e devoção a nosso pai. Até Melissa, minha futura cunhada, abria mão de alguns luxos anteriormente exigidos por ela, à meu irmão, para ajudar em casa, ela era sim a esposa que meu irmão merecia ter, atenciosa, carinhosa e dedicada, eles já estavam juntos a cerca de três anos.
Eu tentava conciliar meus horários entre minha casa e alguns cuidados prestados a meu pai, com os estudos, e meu novo trabalho, que na verdade não seria tão difícil de encará-lo se eu não escondesse algo, pois se tem uma coisa, da qual eu nunca obtive muito sucesso até os dias de hoje, era mentir, e as vezes eu era obrigada, até mesmo ser um pouco indelicada com as pessoas, para que elas não puxassem papo comigo, pois no fundo eu sabia, que mais hora menos horas, eu mesmo sem notar iria dizer coisas que eu não poderia, pois seria muito prejudicial a mim naquele momento.
Mas eu tinha feito alguns anjos da guarda naquela empresa, uma secretária que atendia pelo nome de Zilda, uma senhora já de meia idade, que vez ou outra eu cruzada pelos corredores, fiz também um amigo, o Paulo, que já trabalhava na empresa desde seus 16 anos, e que havia começado como eu, de serviços sem muita importância e considerado ultrajante para muitos que frequentavam aquela empresa, era mesmo grande, um prédio inteiro, cada setor divido por andares, eu nunca em toda minha vida tinha estado em um local tão alto padrão como aquele, hoje Paulo com seus 25 anos, era auxiliar-geral do chefe de recrutamento.
Eu tentava na medida do possível ser o que eu sempre fui, simpática e conversadora, mas muitas vezes eu notava que alguns empresários não davam muito valor ao tipo de serviço que executava ali, uns outros as vezes chegavam a menosprezar a ala serviçal e alguns outros eram aparentemente simpáticos, claro que em hipótese nenhuma, eles foram mal educados ou grosseiros, era notável que a educação daquelas pessoas que circulavam apressadamente por todos os lados daquele prédio, tinham uma educação exemplar, mas eram pessoas que viviam tão apressadas, que as vezes eu pensava se eles tinham tempo para outra coisa a não ser trabalhar, cumprir horários e agendas lotadas, e num desses meus pensamentos, eu me vi com aquela pergunta martelando minha cabeça "o que você vai ser, quando você crescer"?
Era meu primeiro contato com o mundo empresarial, eu estava dentro de um prédio que fazia parte, dentre outros no meio da cidade, no coração da metrópole, aonde praticamente todas as negociações eram realizadas, era notável que ali não era local de crianças ou adolescentes, que ainda sequer tinham um ideal ou uma meta na vida, sem bem que eu tinha um ideal e uma meta, algumas talvez bem distantes, mas a que se fazia presente no meus dias, era simples e eu me concentrava todos os dias, para não perder o foco e dar conta dos meus afazeres, dentro do tempo estipulado. Tempo era uma "coisa" ou um instrumento valiosíssimo por ali.
Havia alguns dias, que as mocinhas que ali também trabalhavam na lanchonete, estavam inspiradas e conversadoras, nessas oportunidades eu procurava me enturmar, mas mesmo elas fazendo o mesmo tipo de serviço que eu ali, o poder aquisitivo das duas partes eram diferentes, ela trabalhavam apenas para ter uns trocados à mais para gastar com elas próprias ou passeios, coisas que estavam bem longe ainda dos meus planos, por mais que eu tentasse fazer parte do grupo delas, eu me acanhava e me esquivava dos inúmeros convites para ficar de paqueras no bar e lanchonete da avenida, que parecia ser um 'point' de encontro do mesmo pessoal apressado e corrido daquelas empresas.
Uma vez, eu tinha um tempo disponível e resolvi ir conferir como era, junto de Alice e Nathalia que insistiram muito, dizendo que eu era a única que nunca tinha dado as caras por lá, e incrível foi a minha percepção de que as pessoas apressadas e com as agendas lotadas de compromissos, haviam temporariamente desaparecido, daqueles rostos sorridentes entre um copo do cerveja e outro, eu prestava atenção aos detalhes, e ao mesmo tempo, me colocava a pensar, se era por isso que todos viviam tão apressadamente dentro daquele prédio, eu ri comigo mesmo.
Não pude deixar de notar a entrada triunfal de uma moça, que definitivamente não fazia partes dos funcionários de nenhuma daquelas empresas, pelo meus olhos à avaliar seu caminhar e sua vestimenta, era algo milimetricamente feito para o corpo dela, como se fosse feito sobre medida, perfeito em todos os aspectos, ela seguia em direção do balcão de pedidos, e logo atrás dela um homem, que eu fiquei curiosa, mas evitei de perguntar para as meninas, se se tratava de um body guard, e para minha surpresa, nem precisei ficar muito tempo na curiosidade, pois entre elas comentavam como era bonito o segurança particular de Dna. Laura, então eu nem me atrevi a procurar saber quem era essa senhora, continuando a rir comigo mesmo.
Muitos acontecimentos engraçados para meus olhos de 'marinheira de primeira viagem' era registrado por mim, aquele era o chamado happy hour empresarial, aonde todos os funcionários se encontravam, para relaxar um pouco do estressado turno de trabalho, afinal, não era só eu que achava que estava sendo dureza levar aquela vida corrida de estudante, casa e trabalho, era como se todos estivessem no mesmo barco, em busca de um horizonte, uma passagem para algo melhor e maior, mas muitos, inclusive eu, não tínhamos idéia do que, ou de como ou quando.
No caminho de volta para minha casa, dentro daquele ônibus apertado, que eu costumava usar mas nunca tão congestionado como naquele horário, tentando encontrar respostas para milhares de outras perguntas novas, que eu havia conseguido coletar naquele happy hour, ao ver pessoas bem sucedidas, outras um pouco menos, reunidas num só ambiente felizes e sorridentes. Isso me dava a ideia, que mesmo com toda a diferença social que havia, no fim, as pessoas eram todas iguais, pessoas que buscavam sonhos variados, lutavam com o que tinham ou como podiam, então me dei conta de que, deveria me dedicar mais aos meus sonhos do futuro, procurava dentro de mim, algo que me desse cada vez mais a certeza do que eu queria ser quando eu crescer (a pergunta que virava e mexia, estava dentro dos meus pensamentos), eu procurei dentro de mim, pelas coisas que eu gostava de fazer, em busca de um oficio que não me obrigaria a trabalhar se quer, nenhum dia, afinal, quando há satisfação interior no que se faz dia à dia, não há a sensação de obrigação, sendo assim satisfatório acordar e trabalhar todos os dias.
Ao invés de ir direto para casa, resolvi então dar uma parada na biblioteca, local aonde fazia bastante tempo por onde eu não passava desde que começará a luta a favor da saúde de meu pai, ao chegar lá, me senti com aquela sensação de estar de volta ao lar, aquele cheiro de livros velhos misturados com os novos, poder observar as pessoas se movimentando delicadamente para evitar fazer barulho, o silêncio soou aos meus ouvidos como música tranquilizante, depois das horas passadas naquele bar, no meio de gente sorridente e barulhentas.
Dias depois, voltei também aos treinos na academia, passei a dedicar mais tempo aos novos amigos da classe e também as velhas amizades, tentei na medida do possível colocar todos os trabalhos atrasados em dia, mesmo que não valessem mais notas naquele semestre passado, assim ao menos me colocava em dia do que havia se passado na escola, nos dias da minha ausência. Enfim, parecia que a vida antiga estava se adaptando a nova, e tudo estava voltando a ficar equilibrado.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Inimigo oculto
A espera no hospital era longa, nesse tempo eu não podia deixar de reparar que por ali passavam pessoas apressadas, desesperadas, feridas ou gritando por socorro, na verdade eu queria acordar desse pesadelo e voltar pra minha vida pacata diária.
Foi quando eu vi entrando as pressas o pessoal do resgate empurrando uma maca, nela, uma moça loira ensanguentada e pouco mais atrás um homem numa cadeira de rodas também com sangue em suas roupas e mãos e rosto, tentando fazer uma ligação com seu celular e ao mesmo tempo sendo interrompido por oficiais da policia que faziam várias pergunta ao mesmo tempo, eu pude deduzir que se tratava de algum acidente de trânsito, mas com a minha aflição por noticias sobre meu pai eu não conseguia me concentrar em apenas um acontecimento, era como se estivesse absorvendo tudo e todo tipo de informação ao mesmo tempo que acabavam parando num ponto cego dentro de meu cérebro, não conseguindo chegar a conclusão de nenhuma dessa informações.
Algum tempo depois, passa pelo corredor, o homem que antes fora levado na cadeira de rodas, andando com um pouco de dificuldade com suas próprias pernas, era notável que ele sentia dores ao se locomover em direção ao banheiro, de onde saíra poucos minutos depois ainda com o celular na mão. No momento não entendi, mas ao olhar aquele homem passando, senti um calafrio invadindo a minha espinha, mas minha surpresa foi, que o calafrio que senti naquele momento foi diferente do quando me disseram que meu pai estava no hospital, eu sem entender os fatos e reparando naquele homem que passava lentamente a poucos metros a minha frente, de estatura alta, devia ter uns 1,85cm ou mais, de cabelos castanhos claros completamente despenteados, pele branca e mesmo com algumas escoriações e um resto de gotas de sangue no rosto podia se notar que se tratava de uma pele saudável e muito bem cuidada, mais detalhes de seu rosto eu não pude ver porque por mais que ele caminhava lentamente, ele incansavelmente não tirava os olhos do celular e também não caminhava na minha direção.
Eu não entendi o porquê e isso me intrigava mais ainda, mas eu não conseguia desfocar a minha atenção daquele homem, os minutos que ele passou dentro do banheiro, aparentemente se limpando, pareciam ter sido décadas para mim que estava do lado de fora, esperando sem saber porque e ansiosa que ele saísse pela porta, como se assim que ele passasse novamente pela minha frente, eu pudesse então entender por qual razão ele teria conseguido sem nada fazer, desviado tanto o foco da minha preocupação com meu pai.
Ele saiu, e parecia que enfim tinha conseguido completar a ligação que estava tentando fazer desde que entrou pela porta de emergência daquele hospital, ele parou de costas bem na minha frente, e era impossível por mais que eu quisesse não ouvir o que ele relatava pelo telefone, pensei que enfim iria conseguir alguns esclarecimentos as milhares de perguntas que eu fiz para mim enquanto ele estava dentro do banheiro, ele explicava que havia sofrido um acidente no trânsito, e pelo fato da moça estar desacordada e por aquele ser o hospital mais próximo de onde acontecerá o acidente, ele não estava ali por escolha própria, os pára-médicos tinham encaminhado eles para lá, foi então que eu notei que mesmo com as roupas amassadas e estragadas pelo acidente, aquele homem tinha um status bem diferente de meu e de todas as outras pessoas que buscavam ajuda naquele hospital, fitei sem querer os sapatos dele, meus olhos estavam trabalhando por vontade própria fazendo uma completa medição daquele corpo, daquele homem, ainda ali parado na minha frente, notei que se tratava de sapatos caríssimos, daqueles que eu via os artistas famosos usando, coisa fina que nem mesmo nos shopping que eu estava acostumada a ir de vez em quando, não se via com frequência.
Por um segundo me perguntei se ele era algum artista famoso que eu não havia reconhecido, automaticamente meu corpo também se moveu sozinho, mudando de cadeira para um ângulo lateral, para ver se eu conseguia ver o rosto daquele homem, foi quando ele começa a andar seguindo sentido a porta principal do hospital, naquele instante pensei que caso se tratasse de alguém famoso, eu tinha acabado de perder a oportunidade de conhece-lo com um tom irônico e de zombaria comigo mesmo.
Ele saiu, e parecia que enfim tinha conseguido completar a ligação que estava tentando fazer desde que entrou pela porta de emergência daquele hospital, ele parou de costas bem na minha frente, e era impossível por mais que eu quisesse não ouvir o que ele relatava pelo telefone, pensei que enfim iria conseguir alguns esclarecimentos as milhares de perguntas que eu fiz para mim enquanto ele estava dentro do banheiro, ele explicava que havia sofrido um acidente no trânsito, e pelo fato da moça estar desacordada e por aquele ser o hospital mais próximo de onde acontecerá o acidente, ele não estava ali por escolha própria, os pára-médicos tinham encaminhado eles para lá, foi então que eu notei que mesmo com as roupas amassadas e estragadas pelo acidente, aquele homem tinha um status bem diferente de meu e de todas as outras pessoas que buscavam ajuda naquele hospital, fitei sem querer os sapatos dele, meus olhos estavam trabalhando por vontade própria fazendo uma completa medição daquele corpo, daquele homem, ainda ali parado na minha frente, notei que se tratava de sapatos caríssimos, daqueles que eu via os artistas famosos usando, coisa fina que nem mesmo nos shopping que eu estava acostumada a ir de vez em quando, não se via com frequência.
Por um segundo me perguntei se ele era algum artista famoso que eu não havia reconhecido, automaticamente meu corpo também se moveu sozinho, mudando de cadeira para um ângulo lateral, para ver se eu conseguia ver o rosto daquele homem, foi quando ele começa a andar seguindo sentido a porta principal do hospital, naquele instante pensei que caso se tratasse de alguém famoso, eu tinha acabado de perder a oportunidade de conhece-lo com um tom irônico e de zombaria comigo mesmo.
Agora que não tinha mais o homem famoso -alguma coisa em mim riu, pra distrair a minha atenção, estava novamente 100% preocupada com a longa espera por noticias de meu pai, procurava de alguma maneira encontrar algo pra me distrair, mas o clima entre eu, meus irmãos e minha mãe era tenso, nenhum de nós estava disposto a conversar seja qual assunto fosse. Foi quando surge no fundo do corredor meu pai acompanhado de um médico, eu corri ao encontro dele abraçando-o e perguntando se ele estava e se sentia bem, todos com olhares apreensivos por tamanha espera, muito gentilmente o médico nos convida a entrar numa salinha pequena para que ele possa explicar detalhadamente o resultado de todos os exames feito.
Eis que todos ficaram chocado quando o médico explicava detalhadamente que meu pai tinha um adenocarcinoma estomacal, que resumindo numa linguagem que pudéssemos compreender, um câncer no estômago, que seria necessário uma cirurgia o quanto antes, e futuros tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
Saímos juntos do hospital para enfim irmos para casa, foi quando eu sem notar e como se fosse um feitiço malvado que acabará de começar, e eu não poderia nem imaginar que uma sucessão de coisas e acontecimentos ruim, estavam pra acontecer na vida de todos na minha casa.
O primeiro obstáculo não era mais saber o quê, e sim como, como iriamos ter condições de custear uma cirurgia sendo que sempre fomos uma família saudável e por quase nunca precisar de tratamentos médicos, não tínhamos se quer nenhum convênio ou seguro de saúde que pudesse custear a cirurgia, e sabíamos que por se tratar de um câncer não poderíamos adiar por muito tempo, para salvar a vida de meu pai, avaliamos meios, procuramos informações ou entidades que pudessem fornecer meios para realizar a cirurgia, mas todos em vão.
O primeiro obstáculo não era mais saber o quê, e sim como, como iriamos ter condições de custear uma cirurgia sendo que sempre fomos uma família saudável e por quase nunca precisar de tratamentos médicos, não tínhamos se quer nenhum convênio ou seguro de saúde que pudesse custear a cirurgia, e sabíamos que por se tratar de um câncer não poderíamos adiar por muito tempo, para salvar a vida de meu pai, avaliamos meios, procuramos informações ou entidades que pudessem fornecer meios para realizar a cirurgia, mas todos em vão.
Depois de alguns dias, Murilo decidiu largar a escola para poder trabalhar, e começou a busca por uma colocação. Gustavo havia conseguido um empréstimo bancário, mas não era suficiente para custear toda a cirurgia e os tratamentos posteriores. Mamãe procurou por ajuda na família, sem muito sucesso, pois quando ela se casou com meu pai, toda a família foi contra, por meu pai não ter descendência japonesa, o que para a família era cortar laços de sangue e cultura de sua raça. Papai foi obrigado a reduzir sua carga horaria no trabalho, sendo assim seu salário que com muito custo dava pra sustentar nossa casa, ficou reduzindo, fazendo com que Guto adiasse seus planos de casamento com Melissa, que era pra se realizar no final desse ano.
Mamãe ao conversar com um dos parentes, ficou sabendo que muitos de nossa família estavam indo para o Japão, em busca de trabalho com um salário melhor visando algo no futuro, de imediato ela comentou sobre sua descoberta, cogitando talvez a possibilidade de essa ser uma saída para a nossa situação, todos se colocaram a pensar no assunto, eram muitas decisões a serem tomadas, numa corrida contra o tempo, não só da nossa disponibilidade, mas também de uma vaga nos hospitais para tal cirurgia e tratamento.
Mamãe ao conversar com um dos parentes, ficou sabendo que muitos de nossa família estavam indo para o Japão, em busca de trabalho com um salário melhor visando algo no futuro, de imediato ela comentou sobre sua descoberta, cogitando talvez a possibilidade de essa ser uma saída para a nossa situação, todos se colocaram a pensar no assunto, eram muitas decisões a serem tomadas, numa corrida contra o tempo, não só da nossa disponibilidade, mas também de uma vaga nos hospitais para tal cirurgia e tratamento.
A vida da minha família havia sido completamente virada de cabeça para baixo, com muitos e variados problemas e de imediato, por mais que todos estavam unidos para solucioná-los, não tínhamos condições nem solução para tudo.
Apresentação
Luana Aime era apenas mais uma jovem estudante, cheia de sonhos para o futuro, irmã mais nova de Gustavo e Murilo.
Uma família de pai italiano e mãe descendente de japonês, poderíamos dizer, que essa mistura, gerou filhos muito bonitos, ela loira e de olhos levemente puxados para o lado oriental e na cor castanho claro, e os irmãos que herdaram os olhos azuis acinzentados do pai mas a fisionomia e os traços orientais de sua mãe. Luana no auge dos seus 14 anos, frequentava o último ano letivo do ensino fundamental, conhecida por todos na escola aonde estudava desde a 4 série, isso não dava à ela o título de pop star da escola pois por mais que ela fosse uma menina muito simpática e bonita, teve ela na escola também os irmãos que sempre ficavam no pé, neste último ano somente Murilo estava na escola.
A vida da humilde família de classe média-baixa, caminhava tranquilamente, sem luxos ou regalias, mas mesmo assim ela sonhava e guardava economias e mesadas, para fazer planos para um vestido azul bebê com detalhes brancos, as amigas dançando a valsa e todos os pormenores detalhes para uma festa de debutantes, o que era muito raro nos dias de hoje.
Uma família de pai italiano e mãe descendente de japonês, poderíamos dizer, que essa mistura, gerou filhos muito bonitos, ela loira e de olhos levemente puxados para o lado oriental e na cor castanho claro, e os irmãos que herdaram os olhos azuis acinzentados do pai mas a fisionomia e os traços orientais de sua mãe. Luana no auge dos seus 14 anos, frequentava o último ano letivo do ensino fundamental, conhecida por todos na escola aonde estudava desde a 4 série, isso não dava à ela o título de pop star da escola pois por mais que ela fosse uma menina muito simpática e bonita, teve ela na escola também os irmãos que sempre ficavam no pé, neste último ano somente Murilo estava na escola.
No seu tempo livre, ao contrário das outras meninas que procuravam namoricos e diversões próprias dos adolescentes, o que deixava Luana feliz, era estar treinando ou se exercitando, numa academia onde Gustavo trabalhava como instrutor, e aonde ela podia praticar de tudo um pouco, dando à ela diversas habilidades em artes marciais desde seus 7 anos de idade. Era uma menina, que virava e mexia estava com hematomas causado pelos treinos, uma menina que havia abandonado as bonecas, pra ser mais irmã de seus irmãos.
A vida da humilde família de classe média-baixa, caminhava tranquilamente, sem luxos ou regalias, mas mesmo assim ela sonhava e guardava economias e mesadas, para fazer planos para um vestido azul bebê com detalhes brancos, as amigas dançando a valsa e todos os pormenores detalhes para uma festa de debutantes, o que era muito raro nos dias de hoje.
Luana muitas vezes se sentia um peixe fora d'água por não acompanhar as tendências dos adolescentes da sua idade, uma garota muito romântica e sonhadora que acreditava no amor e em todos os outros sentimentos que se agrupavam, ela esperava um dia encontrar uma pessoa para ter um grande amor, as vezes ela tinha atitudes com responsabilidade muito mais elevada que a maioria das garotas da sua idade, talvez isso se deva aos consecutivos conselhos que ela seguia de Giulio, seu pai e um de seus melhores amigo, com quem ela sempre dividia assuntos gerais do cotidiano, sem segredos ou mentiras.
Luana ainda até os dias de hoje nunca teve um namorado de verdade, seus irmãos se encarregavam de fazer a vigília constante, que de certa forma afugentava os interessados e tinha também sua mãe Ana como a maior sentinela sempre se assegurando, de todos os modos, que sua única filha não se tornasse mais uma adolescente descontrolada e irresponsável, apesar Luana mesmo não se interessava muito no assunto de namorado ou ficantes, até o presente momento, ela tinha uma vontade de algo maior, mais intenso e o que é raro nos dias de hoje algo que fosse verdadeiro e duradouro, o que sua amiga Cinthia criticava diariamente, com as indagações que Luana devia aproveitar mais a vida do que dedicar tanto tempo à livros, pesquisas e estudos, que eram na verdade algo que fascinava-a mais, que assuntos de namorados, beijos e amassos.
Era início do ano na escola, e depois de um longo período, era dia de reencontrar alguns amigos que não vimos na férias, os alunos estavam de certa forma eufóricos na entrada da escola, tentando no mural descobrir qual era suas classes e futuros professores. E de repente ao ver seu nome, Luana percebeu que esse ano ela e sua amiga Cinthia não estariam juntas na mesma classe e havia alguns nomes desconhecidos até então por ela na sua nova turma da escola, mas isso não era problema, seriam novos amigos à conhecer, mas não ter a melhor amiga na sua classe, já que juntas estavam desde a 5a. série, seria uma nova experiência, naquele último ano letivo.
Ela e sua família moravam num bairro de classe média, num sobradinho simples, seu irmão mais velho, era instutor da academia á alguns anos e noivo de Melissa, eles planejavam se casar em breve, seu pai era administrador numa empresa à muitos anos e sua mãe era atendente pública. Uma família equilibrada, que costumava almoçar juntos nos finais de semana. Parte da família por parte do pai, viviam na Itália, País natal de Guilio o qual ele fazia planos, de um dia levar toda sua família para conhecer, nunca deixará de falar o italiano algumas vezes dentro de casa, fazendo assim com que todos soubessem o sotaque e o animado modo de falar com as mãos dos italianos. Ana e sua segunda descendência japonesa, já não eram tão citadas dentro da casa, pelo fato de seus avós maternos de alguma forma no passado, não terem aceitado a união de mistura de raças.
A vida de Luana caminhava normalmente, com a rotina de escola, academia, bibliotecas e família, até que um certo dia o seu pai que já há algumas semanas, estava comentando com uma certa frequência de dores abdominais, que pensava ele ser apenas algum mal jeito no dado no trabalho, a dor veio de forma mais intensa, e sem saber direito o porque, Luana quando se viu estava nos corredores de um hospital.
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